um dia de cada vez
ALLAN, filho, estou escrevendo-lhe hoje porque a há 12 anos tenho tentado mas até então não tinha conseguido
Mas hoje, faz 12 anos que perdi parte da minha alma, e estou sozinha na frente do meu PC, e comecei a pensar em te escrever e estou tentando escrever o que o meu coração está sentindo.
Filho querido tenho tantas, tantas, tantas saudades, que às vezes penso que não consigo agüentar a tua ausência, porque, sabes meu filho, o quanto eu te adoro e isto é muito duro para mim. O meu coração não agüenta, está destroçado.
Allan meu filho, peço-te para que me transmitas para a minha cabeça que estás melhor aí, aonde quer que estejas, do que estavas comigo. Então vem a duvida que sangra meu coração. Será que estás melhor? Será que não estás sofrendo? Isto é uma confusão na minha cabeça. Às vezes penso que tudo é um pesadelo, que tudo é mentira, que isto não pode ser verdade… mas tenho que acreditar que é verdade, que você nos deixou, e que não voltas. Mas, como você está sempre presente aqui, na nossa casa, estás sempre comigo onde eu estiver, estás sempre no meu coração, no meu pensamento. Para mim, você não nos deixou, quando estou dentro de casa penso que estás no teu quarto jogando vídeo-game,ou lendo suas revistas do volverine. Quando passo pelo teu quarto e não te vejo lá como era costume, eu… agora não consigo te ver, melhor dizendo eu até consigo ver, não consigo é ouvir você dizer “Mãe, eu estou aqui estudando,” como você dizia quando eu chamava para almoçar e você não queria largar o RPG “Allan, vem comer, que está na mesa”, dizia-te eu. E você respondia, “Mãe, eu já vou”.
Filho tenho tantas saudades, tantas saudades de ouvir a tua voz, quando me perguntavas “Mãe, onde é que pus o meu tênis? Onde é que deixei as minhas meias?” e eu, filho, dizia que era impressionante, que você nunca sabia onde punhas as coisas. Agora, quem me dera poder ouvir estas palavras milhares de vezes sem conta por dia, por noite.
Como a vida é tão injusta, filho querido. Foi tão injusta com a gente, filho querido. As saudades cada vez são mais doloridas, tem vezes que não consigo agüentar tantas saudades e quando estou assim tenho vontade de partir também. Mas como tu sabias e sabes, tenho a peposa e o papito e eles também estão no meu coração, também precisam de mim. E ponho-me a pensar que tenho que viver para eles. Tanto a tua Irma como o teu pai também merecem que eu me preocupe com eles. Eu às vezes penso que estou sendo injusta com eles, quero que eles sofram como eu, mas depois de ler muito livros espíritas,auto ajuda etc., apenas um me ajudou muito a compreender o que é ficar sem um filho, que cada um sofre à sua maneira, eu achava que eles, pela maneira de serem, que não sofriam, mas filho como você sabe eu nunca fui muito inteligente sozinha, não conseguia compreendê-los. Tive que ler muito a bíblia, o que me ajudou a compreender que eles sofrem também, só que sofrem à maneira deles.
E o que eu considerava como maldade humana quando me perguntavam se você era viciado? (logo você que odiava cigarro), ou se você estava bêbado? (você até onde eu sei só tomava um vinho muito raramente e não gostava de cerveja.), ou se você era homossexual? (não era, mas e daí se fosse eu o amaria mais ainda, para ajudá-lo a superar os preconceitos),todas estas perguntas não eram feitas para me ferir e sim pela curiosidade inerente do ser humano,para entender por que você partiu !!!!Mas que cada uma delas abria mais a ferida no meu peito.
Hoje eu continuo com a mesma dor, porque ficar sem um filho, que eu criei com tanto amor, com tanto carinho, sempre preocupada contigo, fazendo projetos para o teu futuro, pagando a prestação do carro para lhe dar de presente quando entrasse na faculdade, que iria se formar, estudar no exterior, casar, me dar netos.......
Mas você resolveu partir e, nada disto se concretizou. Como a vida foi injusta, filho. Mas eu respeito o que você fez, só pensaste em ti, e eu respeito muito a tua decisão. Achaste que era a maneira de acabares com o teu sofrimento. Mas, filho! Porque você sofria? Achavas que eu não era uma boa Mãe? E que o Papito não era um bom Pai? Mas, eu e o teu pai andávamos muito enganados. Pensávamos que éramos uns pais exemplares, mas agora me ponho a pensar que talvez não fosse-mos tão bons assim. No que é que nós falhamos? Não te demos o carinho, o apoio que tu precisavas?
E eu achava que tu tinhas tudo para ser feliz. Eu e o teu pai deixamos de viver a nossa vida,trabalhando para dar tudo do bom e do melhor para você e sua irmã, mas volto a dizer, sei que falhamos em alguma coisa. E é isto que me consome e me sufoca o meu coração. Faço tantas perguntas e nunca consigo arranjar nenhuma resposta para elas. Mas depois consigo controlar-me e, depois de escrever tudo isto, penso para mim que foi muito bom ter um filho que se preocupava comigo quando eu tinha as minhas enxaquecas, as minhas dores de cabeça, e tu dizias “Mãe, vai tomar os teus comprimidos e vai descansar um pouco”. Ter um filho que era trabalhador, que não tinha maus vícios, não bebia bebidas alcoólicas, não tinha vícios em drogas, era um filho que o único vício que tinha era pelo vídeo-game e RPG e mulheres.
Também estou orgulhosa. Um dia em que você, filho, estavas trabalhando no escritório da empresa,vendo você atender os clientes e quando uma senhora veio pedir uma ajuda pagou do seu bolso um prato de comida para ela ,eu disse filho tem comida lá em cima pegue lá pra ela,e você me respondeu!!!!!! Mãe você já ajuda tanta gente ...... Deixe-me ajudar está senhora.
E são com estas recordações e muitas mais, que eu me orgulho do filho que eu tive e que me fazem viver para o teu pai e tua irmã.
Filho querido e amigo adoro ver, as tuas coisas, as tuas fotografias, os teus brinquedos. Isso às vezes dói muito, mas, ao mesmo tempo, fico consolada e alivia-me um pouquinho o meu coração. Quando vejo o teu quarto vazio, a realidade cai na minha frente como um muro intransponível, e não consigo mais sonhar que vais voltar
Mas filho, para mim você não morreu, está sempre vivo no meu coração e vai estar sempre.
Allan, meu filho, eu não sabia que quando se perde um filho amado que era tão duro, uma dor tão grande que não sei se é dor ou o que é, pois, quando é dor se eu tomasse um comprimido passaria, e esta dor não passa. Então o que fazer para suportar!!! pensei quero que você sinta orgulho de mim,coloquei a mascara de alegria no rosto e fui viver um dia de cada vez,pois você me ensinou que o amanhã á Deus pertence ,tudo o que eu conseguir fazer neste tempo, penso que é você que me da forças , que estás a pedir por nós, para que eu e o papito continuarmos a nossa vida, para que sejamos felizes.
Parece-me que um dia me transmitiste para a minha cabeça, filho e me disseste “Mãe, agarra-te ao meu Pai, à minha mana, e continuem a vossa vida que vocês merecem ser felizes”.
Allan, filho, se é você que me dar essa força, continua que é para eu e o teu pai levarmos a nossa vida para a frente mesmo com a tua ausência.
Tu estás sempre presente. Saudades, muitas saudades filho amigo.
Filho, peço a Deus que esteja contigo.
Eu, por ti, rezo todos os dias.
O que me faz continuar é certeza que um dia vamos nos encontrar
Muitos beijos e muitos beijos desta Mãe que te traz sempre no coração e no meu pensamento
Mas hoje, faz 12 anos que perdi parte da minha alma, e estou sozinha na frente do meu PC, e comecei a pensar em te escrever e estou tentando escrever o que o meu coração está sentindo.
Filho querido tenho tantas, tantas, tantas saudades, que às vezes penso que não consigo agüentar a tua ausência, porque, sabes meu filho, o quanto eu te adoro e isto é muito duro para mim. O meu coração não agüenta, está destroçado.
Allan meu filho, peço-te para que me transmitas para a minha cabeça que estás melhor aí, aonde quer que estejas, do que estavas comigo. Então vem a duvida que sangra meu coração. Será que estás melhor? Será que não estás sofrendo? Isto é uma confusão na minha cabeça. Às vezes penso que tudo é um pesadelo, que tudo é mentira, que isto não pode ser verdade… mas tenho que acreditar que é verdade, que você nos deixou, e que não voltas. Mas, como você está sempre presente aqui, na nossa casa, estás sempre comigo onde eu estiver, estás sempre no meu coração, no meu pensamento. Para mim, você não nos deixou, quando estou dentro de casa penso que estás no teu quarto jogando vídeo-game,ou lendo suas revistas do volverine. Quando passo pelo teu quarto e não te vejo lá como era costume, eu… agora não consigo te ver, melhor dizendo eu até consigo ver, não consigo é ouvir você dizer “Mãe, eu estou aqui estudando,” como você dizia quando eu chamava para almoçar e você não queria largar o RPG “Allan, vem comer, que está na mesa”, dizia-te eu. E você respondia, “Mãe, eu já vou”.
Filho tenho tantas saudades, tantas saudades de ouvir a tua voz, quando me perguntavas “Mãe, onde é que pus o meu tênis? Onde é que deixei as minhas meias?” e eu, filho, dizia que era impressionante, que você nunca sabia onde punhas as coisas. Agora, quem me dera poder ouvir estas palavras milhares de vezes sem conta por dia, por noite.
Como a vida é tão injusta, filho querido. Foi tão injusta com a gente, filho querido. As saudades cada vez são mais doloridas, tem vezes que não consigo agüentar tantas saudades e quando estou assim tenho vontade de partir também. Mas como tu sabias e sabes, tenho a peposa e o papito e eles também estão no meu coração, também precisam de mim. E ponho-me a pensar que tenho que viver para eles. Tanto a tua Irma como o teu pai também merecem que eu me preocupe com eles. Eu às vezes penso que estou sendo injusta com eles, quero que eles sofram como eu, mas depois de ler muito livros espíritas,auto ajuda etc., apenas um me ajudou muito a compreender o que é ficar sem um filho, que cada um sofre à sua maneira, eu achava que eles, pela maneira de serem, que não sofriam, mas filho como você sabe eu nunca fui muito inteligente sozinha, não conseguia compreendê-los. Tive que ler muito a bíblia, o que me ajudou a compreender que eles sofrem também, só que sofrem à maneira deles.
E o que eu considerava como maldade humana quando me perguntavam se você era viciado? (logo você que odiava cigarro), ou se você estava bêbado? (você até onde eu sei só tomava um vinho muito raramente e não gostava de cerveja.), ou se você era homossexual? (não era, mas e daí se fosse eu o amaria mais ainda, para ajudá-lo a superar os preconceitos),todas estas perguntas não eram feitas para me ferir e sim pela curiosidade inerente do ser humano,para entender por que você partiu !!!!Mas que cada uma delas abria mais a ferida no meu peito.
Hoje eu continuo com a mesma dor, porque ficar sem um filho, que eu criei com tanto amor, com tanto carinho, sempre preocupada contigo, fazendo projetos para o teu futuro, pagando a prestação do carro para lhe dar de presente quando entrasse na faculdade, que iria se formar, estudar no exterior, casar, me dar netos.......
Mas você resolveu partir e, nada disto se concretizou. Como a vida foi injusta, filho. Mas eu respeito o que você fez, só pensaste em ti, e eu respeito muito a tua decisão. Achaste que era a maneira de acabares com o teu sofrimento. Mas, filho! Porque você sofria? Achavas que eu não era uma boa Mãe? E que o Papito não era um bom Pai? Mas, eu e o teu pai andávamos muito enganados. Pensávamos que éramos uns pais exemplares, mas agora me ponho a pensar que talvez não fosse-mos tão bons assim. No que é que nós falhamos? Não te demos o carinho, o apoio que tu precisavas?
E eu achava que tu tinhas tudo para ser feliz. Eu e o teu pai deixamos de viver a nossa vida,trabalhando para dar tudo do bom e do melhor para você e sua irmã, mas volto a dizer, sei que falhamos em alguma coisa. E é isto que me consome e me sufoca o meu coração. Faço tantas perguntas e nunca consigo arranjar nenhuma resposta para elas. Mas depois consigo controlar-me e, depois de escrever tudo isto, penso para mim que foi muito bom ter um filho que se preocupava comigo quando eu tinha as minhas enxaquecas, as minhas dores de cabeça, e tu dizias “Mãe, vai tomar os teus comprimidos e vai descansar um pouco”. Ter um filho que era trabalhador, que não tinha maus vícios, não bebia bebidas alcoólicas, não tinha vícios em drogas, era um filho que o único vício que tinha era pelo vídeo-game e RPG e mulheres.
Também estou orgulhosa. Um dia em que você, filho, estavas trabalhando no escritório da empresa,vendo você atender os clientes e quando uma senhora veio pedir uma ajuda pagou do seu bolso um prato de comida para ela ,eu disse filho tem comida lá em cima pegue lá pra ela,e você me respondeu!!!!!! Mãe você já ajuda tanta gente ...... Deixe-me ajudar está senhora.
E são com estas recordações e muitas mais, que eu me orgulho do filho que eu tive e que me fazem viver para o teu pai e tua irmã.
Filho querido e amigo adoro ver, as tuas coisas, as tuas fotografias, os teus brinquedos. Isso às vezes dói muito, mas, ao mesmo tempo, fico consolada e alivia-me um pouquinho o meu coração. Quando vejo o teu quarto vazio, a realidade cai na minha frente como um muro intransponível, e não consigo mais sonhar que vais voltar
Mas filho, para mim você não morreu, está sempre vivo no meu coração e vai estar sempre.
Allan, meu filho, eu não sabia que quando se perde um filho amado que era tão duro, uma dor tão grande que não sei se é dor ou o que é, pois, quando é dor se eu tomasse um comprimido passaria, e esta dor não passa. Então o que fazer para suportar!!! pensei quero que você sinta orgulho de mim,coloquei a mascara de alegria no rosto e fui viver um dia de cada vez,pois você me ensinou que o amanhã á Deus pertence ,tudo o que eu conseguir fazer neste tempo, penso que é você que me da forças , que estás a pedir por nós, para que eu e o papito continuarmos a nossa vida, para que sejamos felizes.
Parece-me que um dia me transmitiste para a minha cabeça, filho e me disseste “Mãe, agarra-te ao meu Pai, à minha mana, e continuem a vossa vida que vocês merecem ser felizes”.
Allan, filho, se é você que me dar essa força, continua que é para eu e o teu pai levarmos a nossa vida para a frente mesmo com a tua ausência.
Tu estás sempre presente. Saudades, muitas saudades filho amigo.
Filho, peço a Deus que esteja contigo.
Eu, por ti, rezo todos os dias.
O que me faz continuar é certeza que um dia vamos nos encontrar
Muitos beijos e muitos beijos desta Mãe que te traz sempre no coração e no meu pensamento
Oi minha cunhada, senti uma dor imensa no coração ao perceber que o tempo não foi capaz de amenizar a tua dor, posso imaginar que é difícil mas vou orar para que Deus te abençõe, dando-te paz, consolando o teu coração de mãe, não fique se questionando desta maneira nós nunca saberemos o verdadeiro motivo, sei que és uma mulher forte e guerreira e vás superar td isso em Nome de Jesus. Conte comigo mesmo á distancia.
ResponderExcluirMinha prima, independente da dor, que não passa, apenas diminui, certas perdas são oportunidades de reencontro... Talvez fosse preciso perder para rever conceitos, para rever a força da fé, para realinhar os fundamentos da união familiar. Nem todas as lembranças precisam ter o sofrimento como sensação final. Pense que Deus tem caminhos insondáveis e cada um de nós cumpre sua missão e escolhe seu destino, seja ele qual for. A Deus, entregamos nossas melhores intenções, nossos atos para que sejam abençoados ou perdoados, conforme a nossa consciência. Você sempre deu à sua família e ao mundo o que havia de melhor em você. E, às vezes, também por amor, nos entregamos a uma tristeza tão grande que parace que só a morte poderá nos dar alívio... As incertezas e tristezas na mente do Alan podem ter levado a um ato material de consequências irreversíveis. Mas o coração e a mente dele jamais se afastaram de Deus, tenha certeza disso. Ele teve uma excelente formação e levará sempre isso com ele, onde quer que esteja. Suas lágrimas de mãe, aliás, as lágrimas da família, apenas semeiam de luz o caminho da evolução dele. No seu coração sempre ficará o espinho, mas, assim como Santa Rita de Cássia, que este espinho seja também a oportunidade de um testemunho vivo de fé, de que a morte separa apenas fisicamente, mas os laços espirituais são eternos. Porque, de onde quer que ele esteja, ele continua a ser seu filho, a vibrar com seus sucessos, a gostar de ver seu sorriso e a ter preocupação com suas tristezas. Faça por onde ele ter muito mais motivos de se sentir feliz e tranquilo em sua evolução, do que triste por você não poder partilhar fisicamente com ele todas as boas coisas que aconteceram e continuam a acontecer. Ofereça a Nossa Senhora a sua dor... Ninguém melhor que Ela para saber como dói uma perda assim... Ela que esteve aos pés da cruz, vendo um inocente ser sacrificado, e sabendo que tudo era parte dos desígnios divinos. Antecipadamente, ela sabia do sofrimento que viria, e não se lamentou nem se revoltou pelo destino que lhe foi reservado. Ela te ouve todos os dias, e sabe que só depende da tua fé ter mais motivos para sorrir e agradecer, do que para chorar e sofrer. A dor não se extinguirá, mas será iluminada pela luz divina da fé e da crença que tudo na vida tem um propósito. Um grande beijo!!! Tua prima, Daely
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