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quinta-feira, 24 de junho de 2010

Enfim o governo está olhando para a capoeira

Com a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, no dia 17/06 , que Estabelece o combate a discriminação racial e as desigualdades estruturais e de gênero que atingem os afro-brasileiros, incluindo a dimensão racial nas políticas públicas e outras ações desenvolvidas pelo estado. o que mudou

DA CULTURA
ART. 21 O poder público garantirá o registro e proteção da capoeira, em todas as suas modalidades, como bem de natureza imaterial e de formação da identidade cultural brasileira.
Parágrafo único. O poder público buscará garantir, por meio dos atos normativos necessários, a preservação dos elementos formadores tradicionais da capoeira nas suas relações internacionais.

Do Esporte e Lazer
ART. 23 O poder público fomentará o pleno acesso da população negra ä prática desportiva, consolidando o esporte e o lazer como direitos sociais.

ART. 24 "A capoeira é reconhecida como desporto de criação nacional nos termos do art. 217 da CF."
Parágrafo 1 A atividade de capoeira será reconhecida em todas as modalidades em que a capoeira se manifesta, seja como esporte, luta, dança ou música, sendo livre o exercício em todo o território nacional.
Parágrafo 2 Ë facultado o ensino da capoeira nas instituições públicas e privadas pelos mestres tradicionais, pública e formalmente reconhecidos.
Agora falta a criação de normas para a preservação da capoeira.para ser regulamentado pelo senado.
Então em prol da capoeira que tal os mestres responsaveis pelos grupos de capoeira no brasil , se reunir em um seminario para debater com as autoridades competentes a elaboração destas normas.
mostrando que temos voz .

sábado, 12 de junho de 2010

quem sou eu sem capoeira

Faz algum tempo que eu jogo capoeira. Bom se for contar, realmente já vão aí uns 6 anos de idas e vindas. Parei para fazer 4 anos de faculdade,depois 2 anos de pós . E o que tem a vê o focinho com a tomada? Tudo meu amigo. Não o focinho, mas a capoeira e a faculdade. Quando entrei na faci, deixei de jogar por um tempo. Muitos trabalhos, estágios, provas. Depois de aprender um pouco sobre educação comecei a olhar a capoeira com outros olhos. Quatro anos me fizeram diferente. Como o som do berimbau que no começo é agudo e depois fica macio, melancólico, melhor na ladainha da Angola, também fui mudando com o tempo.
No começo eu via a capoeira como um movimento que precisava de flexibilidade, ritmo e força (e haja força viu!). Com o passar do tempo, vi que a capoeira não era só um jeito de mexer com o corpo, mas uma forma de valorizar e respeitar as diferenças culturais e sociais, envolvidas pelas pessoas que a jogavam.
É na capoeira que há um resgate das nossas raízes, onde o que aprendemos fora da escola também é valorizado e onde nossas diferenças são reconhecidas. É reconhecendo e respeitando o direto de cada um que faz do ser humano diferente e especial, transformando a capoeira em uma cultura sócio-esportiva verdadeiramente inclusiva.
A cultura popular, da qual a capoeira faz parte, nunca foi valorizada na educação formal. Sempre foi retratada de forma folclorizada, abordada de forma superficial e caricaturada.
Qual a identidade do povo brasileiro? Qual a nossa raça? Quando eu era pequena, aprendi na escola que o povo brasileiro era formado pelo branco, pelo negro e pelo índio (coitados dos meus amiguinhos japas ou de mim mesmo que até aquela época não havia definição para minha cor – meu RG ta cor branca, mas eu não sei muito bem disso não sempre achei que meu avo materno tinha um pé na cozinha). Aprendi que da mistura dessas três raças é que a identidade do povo brasileiro foi formada. E acabou.. Mas e a nossa identidade cultural, nosso RG? Muito se comenta hoje em herança dos povos, o branco da minha época virou elemento europeu, o negro virou africano (?) e o índio continua índio. Um dos elementos de formação cultural mais expressivo do povo brasileiro é a Capoeira.
O movimento da Capoeira representa 500 anos de tradição, um verdadeiro patrimônio cultural negro, instrumento de um povo que lutou pelo principal valor da humanidade: a liberdade.
As origens da capoeira estão ligadas a formação da nação brasileira. O batuque, a reza e o canto eram os meios encontrados para aliviar a asfixia da escravidão. No som dos atabaques continuava vivo o culto aos orixás e danças de onde nasceu a capoeira. A forma de resistência aos opressores era por meio da prática da arte, transmissão de cultura e melhora da auto-estima do escravo.
A capoeira é essa mistura de luta, dança arte marcial, cultura popular, música e brincadeira. É uma valiosa contribuição para o nosso RG cultural; é parte de nossa história e lembrança das lutas que marcaram o povo brasileiro. É uma das mais significativas contribuições dos africanos, negros, escravos e seus descendentes para a formação da nossa identidade.
Nossa Constituição Federal garante o direito da Educação para todos, mas isso somente será uma verdade nas nossas escolas quando elas se especializarem em todos os alunos, e não apenas em alguns. Não é esquecendo que as diferenças existem que vamos mudar essa situação. É preciso ter escolas em que todos reconheçam as diferenças e necessidades.
A escola é o espaço de práticas como a capoeira como meio para a construção de novos conhecimentos. É um lugar onde a cooperação substitui a competição, onde as diferenças conversam entre si e encontram uma maneira de desenvolver ações inclusivas, que atraiam os alunos.
Mas são poucas escolas que tem esta visão da capoeira despida de preconceitos, pois a maioria se afogam em burocracias ,em diferenciar seus alunos como: inteligentes,hiper-ativos,deficientes,especiais,etc., e esquece a nossa constituição.
Como rara exceção tem a escola Madre celeste, que apóia a capoeira e abre espaço para todos, alunos e pais de alunos para á pratica da capoeira ,parabéns para os diretores que sabem respeitar nossa constituição e garante além de educar ,forma também novos
Cidadãos com nossa identidade cultural verdadeira.

um dia de cada vez

ALLAN, filho, estou escrevendo-lhe hoje porque a há 12 anos tenho tentado mas até então não tinha conseguido
Mas hoje, faz 12 anos que perdi parte da minha alma, e estou sozinha na frente do meu PC, e comecei a pensar em te escrever e estou tentando escrever o que o meu coração está sentindo.
Filho querido tenho tantas, tantas, tantas saudades, que às vezes penso que não consigo agüentar a tua ausência, porque, sabes meu filho, o quanto eu te adoro e isto é muito duro para mim. O meu coração não agüenta, está destroçado.
Allan meu filho, peço-te para que me transmitas para a minha cabeça que estás melhor aí, aonde quer que estejas, do que estavas comigo. Então vem a duvida que sangra meu coração. Será que estás melhor? Será que não estás sofrendo? Isto é uma confusão na minha cabeça. Às vezes penso que tudo é um pesadelo, que tudo é mentira, que isto não pode ser verdade… mas tenho que acreditar que é verdade, que você nos deixou, e que não voltas. Mas, como você está sempre presente aqui, na nossa casa, estás sempre comigo onde eu estiver, estás sempre no meu coração, no meu pensamento. Para mim, você não nos deixou, quando estou dentro de casa penso que estás no teu quarto jogando vídeo-game,ou lendo suas revistas do volverine. Quando passo pelo teu quarto e não te vejo lá como era costume, eu… agora não consigo te ver, melhor dizendo eu até consigo ver, não consigo é ouvir você dizer “Mãe, eu estou aqui estudando,” como você dizia quando eu chamava para almoçar e você não queria largar o RPG “Allan, vem comer, que está na mesa”, dizia-te eu. E você respondia, “Mãe, eu já vou”.
Filho tenho tantas saudades, tantas saudades de ouvir a tua voz, quando me perguntavas “Mãe, onde é que pus o meu tênis? Onde é que deixei as minhas meias?” e eu, filho, dizia que era impressionante, que você nunca sabia onde punhas as coisas. Agora, quem me dera poder ouvir estas palavras milhares de vezes sem conta por dia, por noite.
Como a vida é tão injusta, filho querido. Foi tão injusta com a gente, filho querido. As saudades cada vez são mais doloridas, tem vezes que não consigo agüentar tantas saudades e quando estou assim tenho vontade de partir também. Mas como tu sabias e sabes, tenho a peposa e o papito e eles também estão no meu coração, também precisam de mim. E ponho-me a pensar que tenho que viver para eles. Tanto a tua Irma como o teu pai também merecem que eu me preocupe com eles. Eu às vezes penso que estou sendo injusta com eles, quero que eles sofram como eu, mas depois de ler muito livros espíritas,auto ajuda etc., apenas um me ajudou muito a compreender o que é ficar sem um filho, que cada um sofre à sua maneira, eu achava que eles, pela maneira de serem, que não sofriam, mas filho como você sabe eu nunca fui muito inteligente sozinha, não conseguia compreendê-los. Tive que ler muito a bíblia, o que me ajudou a compreender que eles sofrem também, só que sofrem à maneira deles.
E o que eu considerava como maldade humana quando me perguntavam se você era viciado? (logo você que odiava cigarro), ou se você estava bêbado? (você até onde eu sei só tomava um vinho muito raramente e não gostava de cerveja.), ou se você era homossexual? (não era, mas e daí se fosse eu o amaria mais ainda, para ajudá-lo a superar os preconceitos),todas estas perguntas não eram feitas para me ferir e sim pela curiosidade inerente do ser humano,para entender por que você partiu !!!!Mas que cada uma delas abria mais a ferida no meu peito.
Hoje eu continuo com a mesma dor, porque ficar sem um filho, que eu criei com tanto amor, com tanto carinho, sempre preocupada contigo, fazendo projetos para o teu futuro, pagando a prestação do carro para lhe dar de presente quando entrasse na faculdade, que iria se formar, estudar no exterior, casar, me dar netos.......
Mas você resolveu partir e, nada disto se concretizou. Como a vida foi injusta, filho. Mas eu respeito o que você fez, só pensaste em ti, e eu respeito muito a tua decisão. Achaste que era a maneira de acabares com o teu sofrimento. Mas, filho! Porque você sofria? Achavas que eu não era uma boa Mãe? E que o Papito não era um bom Pai? Mas, eu e o teu pai andávamos muito enganados. Pensávamos que éramos uns pais exemplares, mas agora me ponho a pensar que talvez não fosse-mos tão bons assim. No que é que nós falhamos? Não te demos o carinho, o apoio que tu precisavas?
E eu achava que tu tinhas tudo para ser feliz. Eu e o teu pai deixamos de viver a nossa vida,trabalhando para dar tudo do bom e do melhor para você e sua irmã, mas volto a dizer, sei que falhamos em alguma coisa. E é isto que me consome e me sufoca o meu coração. Faço tantas perguntas e nunca consigo arranjar nenhuma resposta para elas. Mas depois consigo controlar-me e, depois de escrever tudo isto, penso para mim que foi muito bom ter um filho que se preocupava comigo quando eu tinha as minhas enxaquecas, as minhas dores de cabeça, e tu dizias “Mãe, vai tomar os teus comprimidos e vai descansar um pouco”. Ter um filho que era trabalhador, que não tinha maus vícios, não bebia bebidas alcoólicas, não tinha vícios em drogas, era um filho que o único vício que tinha era pelo vídeo-game e RPG e mulheres.
Também estou orgulhosa. Um dia em que você, filho, estavas trabalhando no escritório da empresa,vendo você atender os clientes e quando uma senhora veio pedir uma ajuda pagou do seu bolso um prato de comida para ela ,eu disse filho tem comida lá em cima pegue lá pra ela,e você me respondeu!!!!!! Mãe você já ajuda tanta gente ...... Deixe-me ajudar está senhora.
E são com estas recordações e muitas mais, que eu me orgulho do filho que eu tive e que me fazem viver para o teu pai e tua irmã.
Filho querido e amigo adoro ver, as tuas coisas, as tuas fotografias, os teus brinquedos. Isso às vezes dói muito, mas, ao mesmo tempo, fico consolada e alivia-me um pouquinho o meu coração. Quando vejo o teu quarto vazio, a realidade cai na minha frente como um muro intransponível, e não consigo mais sonhar que vais voltar
Mas filho, para mim você não morreu, está sempre vivo no meu coração e vai estar sempre.
Allan, meu filho, eu não sabia que quando se perde um filho amado que era tão duro, uma dor tão grande que não sei se é dor ou o que é, pois, quando é dor se eu tomasse um comprimido passaria, e esta dor não passa. Então o que fazer para suportar!!! pensei quero que você sinta orgulho de mim,coloquei a mascara de alegria no rosto e fui viver um dia de cada vez,pois você me ensinou que o amanhã á Deus pertence ,tudo o que eu conseguir fazer neste tempo, penso que é você que me da forças , que estás a pedir por nós, para que eu e o papito continuarmos a nossa vida, para que sejamos felizes.
Parece-me que um dia me transmitiste para a minha cabeça, filho e me disseste “Mãe, agarra-te ao meu Pai, à minha mana, e continuem a vossa vida que vocês merecem ser felizes”.
Allan, filho, se é você que me dar essa força, continua que é para eu e o teu pai levarmos a nossa vida para a frente mesmo com a tua ausência.
Tu estás sempre presente. Saudades, muitas saudades filho amigo.
Filho, peço a Deus que esteja contigo.
Eu, por ti, rezo todos os dias.
O que me faz continuar é certeza que um dia vamos nos encontrar
Muitos beijos e muitos beijos desta Mãe que te traz sempre no coração e no meu pensamento